Campo Grande - MS, Domingo, 22/10/2017

Uma banda jovem com quase 50 anos de entrega à música

Edson Moraes

15 de maio de 2017

Música

Transição dos anos 1960 para 1970. O cenário musical de Corumbá ampliava sua diversidade. Deixava de girar no já amplo repertório carnavalesco de sambas e marchas, dos dobrados e composições marciais emendados com a seresta, boleros e sambas-canções que pontuavam as festas familiares e as noites de retreta com bandas militares na Praça da Independência. Era um universo cultural democrático e criativo, no qual cabiam ainda outras partituras, como os sons latinos da Bolívia e do Paraguai (takirari e a polca, por exemplo) e outras vertentes do clássico ao popular.

Mas era um tempo em que se afirmava a revolução mundial do rock. E com o empurrão sedutor do pop instalado pela Jovem Guarda, os corumbaenses, ladarenses e pantaneiros em geral exigiriam seu espaço. Era o tempo romântico das brincadeiras, reuniões dançantes nas residências ou nos clubes sociais, animados pelos toca-discos, dos quais a sonata era uma das preciosidades, ou por conjuntos musicais.

Conjunto. É assim que se chamavam os grupos de músicos dos variados gêneros. Soldados do Exército e da Marinha tocavam em eventos não-oficiais da Força e tinham seus próprios grupos, como o sargento Vaz, sargento Petrola e o tenente Melquíades. Os civis não ficavam atrás. Pelego, Barrafunda, os irmãos Toddy e Tim destacavam-se entre os músicos baileiros da época.

NOVA ERA – Porém, o pop e o rock, nos passos e sonhos da juventude, pediam passagem. E aconteceu, no embalo alucinante de nomes como os de Roberto e Erasmo Carlos, Wanderléia, Jerry Adriani, Renato e seus Blue Caps, Golden Boys e, sem dúvida, Beatles. Os conjuntos Djangos e Vênus Show-7 estavam entre as primeiras formações musicais que descolaram o repertório ajustado ao frisson juvenil. E vieram juntos o MJ-6 e o Arame Farpado, o primeiro na mescla deliciosa de pop e de rock e o segundo procurando identificar-se com a galera roqueira.

Enquanto Django´s, Vênus Show-7 e Arame Farpado fecharam seu ciclo após cumprir papéis vitais na produção de música qualificada, sobrou o MJ-6, que havia nascido “Os Garotões”, foi rebatizado de MJ-5 e foi à pia batismal mais uma vez para a denominação definitiva: MJ-6. O número é relativo à quantidade de integrantes. E as iniciais são de Moacir de Jesus, precursor e incentivador dos músicos ao assumir a aquisição da aparelhagem profissional que pôs o pessoal na estrada.

RESISTÊNCIA – Já lá se vão quase 50 anos e o conjunto-grupo-banda MJ continua vivo. Foram várias formações nessas quase cinco décadas. Hoje, os que mais resistem nos palcos são o baterista ebacking vocal Geraldo Alexandre, uma espécie de embaixador da banda, e o baixista Calixto Santos. Porém, outro baterista, Aniceto, e o guitarrista Márcio Fala Baixo, também são presenças assíduas nas promoções que constantemente têm o MJ-6 como atração.

Quando ainda eram “Os Garotões”, os rapazes animavam as domingueiras no Corumbaense, o clube da alta sociedade. Depois foram fazer os sábados no Riachuelo, frequentado pela classe média, e mais tarde no Camala (clube da Marinha em Ladário) e outros espaços que consolidaram o apelo popular de uma banda que sempre tocou para todas as idades e continua agradando todas elas. No palco do Cine Santa Cruz ou em clubes como Riachuelo, Corumbaense, Grêmio e Camala baile com MJ-6 era garantia de casa cheia. Ingressos se esgotavam.

COMPROMISSO – Em maio de 2012 foi gravado e lançado o primeiro DVD da banda, em umshow como o sugestivo nome “A Noite dos anos 70”. E nestes 49 anos de sangue, suor, lágrimas, vitórias, revezes, de muitas felicidades e sonhos plantados, o MJ-6 mantém na cena musical o compromisso artístico de músicos talentosos e donos de alma generosa como é a de Corumbá. Milhares de corumbaenses moram em Campo Grande e vez por outra promovem festas contratando o MJ-6. Nem precisa fazer propaganda. É sucesso garantido.

Eu acompanhei, vivi e curti um longo e saboroso trecho dessa jornada de rara e corajosa entrega à arte. Talvez não consiga citar os nomes de todos os intérpretes e músicos que são protagonistas dessa belíssima história. Na formação de 2012 estavam Ramão Terra (voz) ; Gude (voz) ; Calixto dos Santos Gonçalves (baixo e backing vocal); Aniceto (bateria e backing vocal); Márcio Pereira Mendes, o “Fala-baixo” (guitarra e backing vocal); Cavalcante (teclado); Célio (guitarra); Linete (teclado); e Geraldo Alexandre (voz e backing vocal).

Contudo, e até para prestar uma singela homenagem aos “MJs” que já se foram – Joãozinho Batata e Tião – arrisco-me a relacionar boa parte desses amados e talentosos protagonistas. Toda reverência a vocês: Juvenal, Balduíno, Marco Aurélio, Calixto, Geraldo Alexandre, Tadeu Atagiba, Fala Baixo, Carlinhos Cárcano, Calixto, Hélio Ferreira, Aniceto, Waldno, Luiz Nelson, João Batata, Rosa Serpa, Aniceto, Orlando Bejarano, Paulo Cabuloso, Eder Mosciaro, Tião, Marco Aurélio, Eraldo e Caxingue.

 MJ6 com Fala Baixo, Geraldo, Carlinhos Cárcano, Calixto, Hélio Ferreira e Aniceto